segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Post 02 - Se é pra partir, é pra partir por completo

Antes de comentar o acontecimento seguinte, que está registrado em meu diário, preciso abrir um parêntese e explicar algumas coisas.

Sou católico-cristão. Nunca fui um religioso atuante. Mas a espiritualidade foi uma constante em minha vida. Meus pais me ensinaram a falar com Deus desde muito cedo. Jamais paramos essa conversa. Até hoje incomodo ele com meus questionamentos. Isso sempre me ajudou a encontrar pequenos caminhos. Ou seja, nunca fui uma pessoa totalmente cética.
O que não sabia era que meu corpo se comunicava comigo. Falava silenciosamente. Algumas vezes de maneira subliminar e as vezes de forma brutal. Já tinha ouvido falar muito desse assunto através de uma pessoa próxima a mim, Cristiane Luisa Zamboni.  Ela comentava comigo sobre essa relação que o corpo e a mente tinham. Mas minha ignorância nesse assunto, não me permitia aceitar esta possibilidade de comunicação.
Uma comunicação que não se enxerga. Uma comunicação que passava longe da consciência materialista que tinha. Algo que não se prova aos olhos, mas sim através da sensibilidade. Do sentimento e do coração.
Entre os anos 2000 e 2005, muitos acidentes e doenças aconteceram comigo. As coisas mais diversas possíveis. E tudo tinha relação com a maneira como estava vivendo. Tive problemas recorrentes envolvendo as pernas. Fraturas de ossos, rupturas de ligamentos e tendões, e até descolamento de músculo por corte profundo. A cada acidente, mais tempo ficava de molho. Somente eu e meus pensamentos. Até que comecei a me abrir mais pra essa possibilidade de meu corpo estar me avisando de algo.
Buscando informações sobre o assunto, achei um livro muito interessante da autora Cristina Cairo. Linguagem do corpo, da editora Mercuryo. Isso realmente mudou minha consciência corporal. Cito uma bela frase do livro que virou uma constante em minha vida.


O corpo é a tela onde se projetam as emoções.


Sendo assim as emoções negativas são projetadas na forma de doenças ou acidentes.
Segundo o livro problemas nas pernas significam que seu caminho pode não estar de acordo ou sendo bloqueado por alguém ou situação complicada. Quando insistimos em não mudar o caminho, nossas pernas somatizam de alguma forma, esse desequilíbrio emocional.
Lendo isso numa cama de hospital, foi como levar um banho de lucidez. Era como se a autora tivesse escrito todo aquele capítulo pra mim. Isso veio a confirmar que estava me enganando, mas não ao meu inconsciente. Ele enxergava toda a minha verdade. Mas então qual era minha verdade? Onde foi que me desviei do caminho? Ou seja, perdido,  no escuro e sozinho. Somente eu poderia achar as respostas. 

Voltando à boleia, estávamos entrando em uma cidade chamada Barracão, no Paraná, divisa com Santa Catarina. Já havíamos passado da meia-noite. Estávamos exaustos e procurando um lugar para passar a noite. Foi quando num descuido, o motorista não enxergou um quebra molas. Sentimos o solavanco. Alguns metros depois a carga começou a pender para um dos lados. Imediatamente o motorista parou. Havia quebrado o feixe de mola da roda traseira direita. Exatamente do lado em que eu viajava.
Pronto! Foi motivo para meus pensamentos a respeito desses eventos. Não foram as minhas pernas, mas o que nos locomovia. Será que podia ter essa ligação? Se tivesse, será que não estava convicto dessa viagem? Será que minha insegurança podia afetar nosso trajeto?
Sabia que precisava mudar a minha energia. Mudar minha vibração sobre meus dias. Pois eu era o responsável pelos meus acontecimentos e não ao contrário. Já havia vivido muito essa ilusão. A vida novamente me falava que precisava estar de acordo com os meus sentimentos. Eu tinha começado a viagem, mas minha cabeça não tinha me acompanhado. Ela estava a 800 Km de distância e a alguns anos atrás em pensamentos. Ela não havia partido ainda.

Passamos a madrugada nos revezando para dormir. Enquanto um dormia por duas horas dentro do caminhão, o outro ficava de sentinela numa parada de ônibus próxima. 
Nosso mecânico chegou perto das 11hs. Pouco antes do por do sol deste mesmo dia, estávamos novamente sobre o asfalto a correr.

Assim que saímos voltei a escrever.

Não enxergo a direção.
Não consigo reconhecer os sons a minha volta.
Não vou deixar que meus olhos me dispersem.
Não vou deixar que meus ouvidos me amedrontem.
Vou voltar a escutar meu coração.
O mesmo que me colocou neste caminho.
Se é pra partir, é pra partir por completo.
Não vou deixar que o passado me roube em pensamentos.
Nem que o futuro me ameace com fantasias.
Vou estar aqui, seguro e pleno.


Aproveitei e escrevi na capa bem grande a frase que tinha na cabeça.


“Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir.” Frase do livro Paraty de Amyr Klink.


Essa foi a minha primeira noite.





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